A sessão ordinária desta terça-feira foi a mais
longa e tensa do semestre legislativo em Grajaú. Durante quatro horas e meia,
vereadores da base e da oposição travaram embates diretos sobre a situação da
saúde, da educação, da infraestrutura e das finanças do município — com
denúncias de postos de saúde fechados, transporte escolar parado, recursos que
teriam desaparecido do caixa e obras estaduais que Grajaú está prestes a
perder.
O pano de fundo é explicitamente eleitoral:
faltando cerca de 50 dias para o pleito de 4 de outubro, as falas se dividiram
entre defesa da gestão do prefeito Antônio Gilson Bonfim da Silva (Dr. Gilson)
e cobranças cada vez mais duras de aliados e opositores.
Expediente:
projetos, indicações e ofícios
Ata anterior rejeitada em primeira
votação. A ata nº 029/2026 não foi aprovada na primeira chamada por
ausência de vereadores no plenário no momento do voto — o presidente pediu
agilidade aos colegas e a matéria foi aprovada em seguida.
Audiência do SAAE adiada. Ofício nº
280/2026 do Serviço Autônomo de Água e Esgoto, assinado pelo diretor Rodrigo de
Souza Orquiza, pediu o adiamento da apresentação pública sobre a situação
financeira da autarquia. A audiência foi remarcada para 17 de agosto de
2026, às 9h, na Câmara. A apresentação deve detalhar receitas, despesas,
dívidas e disponibilidade de caixa do SAAE.
Indicação aprovada — BR-226. Indicação nº
007/2026, de autoria do vereador Henrique Mello, solicitando a construção de
barreira de contenção (guarda-corpo/defensa metálica) às margens da BR-226, no
bairro Canoeiro, próximo à “motoca” que dá acesso à Vila Esperança e ao bairro
da Torre. Justificativa: desnível acentuado que coloca em risco motoristas,
motociclistas, ciclistas e pedestres. Aprovada por unanimidade.
Projeto de Lei dos cemitérios rurais. De autoria do
presidente Elielson, dispõe sobre conservação, preservação e garantia de acesso
a cemitérios, túmulos e locais de sepultamento em imóveis rurais privados. O
texto obriga proprietários a preservar sepulturas existentes, assegura acesso
de familiares para visitação e limpeza, garante livre acesso no Dia de Finados,
exige informação da existência de sepulturas em qualquer negociação do imóvel e
prevê penalidades (advertência, multa de 5 a 100 UFM, reparação de danos).
“Eu tenho uma fazenda, lá estavam enterrados meus
entes queridos, eu precisei vender. E amanhã os novos proprietários não
destroem, porque já tem vários acontecimentos.” — vereador Elielson, defendendo
o projeto
O projeto gerou o primeiro debate qualificado do
dia. O vereador Flávio Henrique apontou fragilidade jurídica e sugeriu que o
município fizesse a doação ou desapropriação das áreas, incorporando-as ao
patrimônio público. Henrique Mello ponderou que na maioria dos casos não se
trata de cemitérios, mas de sepulturas isoladas em propriedades familiares. O
projeto foi encaminhado às comissões.
Censo Agropecuário 2027. No
encerramento, foi lido ofício do IBGE informando que Grajaú foi escolhido como
município-polo para as reuniões de planejamento do 12º Censo Agropecuário,
Florestal e da Agricultura. A primeira reunião ficou marcada para 12 de agosto,
às 9h, na Academia Grajauense de Letras.