Ritual da Tucandeira marca rito de passagem entre jovens da etnia Saterê-Mawé, na Amazônia

 


O Ritual da Tucandeira é uma tradição ancestral realizada pela etnia indígena Saterê-Mawé, povo originário da região amazônica, com maior concentração no estado do Amazonas.

 O ritual é um rito de passagem masculino que simboliza a transição da infância para a vida adulta, marcando o início da formação do jovem como guerreiro dentro da comunidade.
Durante a cerimônia, os jovens colocam as mãos em luvas feitas de palha, repletas de formigas tucandeiras — conhecidas no Maranhão como tucanguiras. A espécie, chamada cientificamente de Paraponera clavata, também é conhecida como formiga-bala, por possuir uma das picadas mais dolorosas do mundo, segundo registros científicos.


O jovem deve suportar as ferroadas por cerca de 15 minutos, mantendo as mãos dentro das luvas enquanto a comunidade realiza danças e cantos tradicionais. O ritual não acontece apenas uma vez: ele é repetido diversas vezes ao longo da vida, como forma de fortalecimento físico, espiritual e simbólico, até que o jovem seja reconhecido como guerreiro.
Além do simbolismo cultural, o ritual possui um significado espiritual e medicinal para o povo Saterê-Mawé, sendo considerado uma espécie de “vacina natural e sagrada”, que fortalece o corpo e o espírito.


Durante a cerimônia, o jovem recebe apoio dos tios maternos, figuras tradicionais de orientação e proteção dentro da estrutura social da etnia, reforçando o caráter coletivo do ritual.


Tradição e turismo cultural
Apesar de ser um ritual tradicional e sagrado, o Ritual da Tucandeira também se tornou, em algumas comunidades, uma forma de geração de renda por meio do turismo cultural. Em locais como a comunidade Y’Apýrehyt, próxima a Manaus, visitantes podem acompanhar a cerimônia, sempre respeitando as normas culturais e espirituais do povo indígena.


O ritual é reconhecido como uma das mais impressionantes manifestações culturais indígenas do Brasil, representando resistência, identidade, ancestralidade e preservação das tradições dos povos originários da Amazônia.

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