Desde 22 de janeiro,
representantes de 14 etnias indígenas do Baixo Tapajós ocupam de forma pacífica
as instalações da Cargill no Porto de Santarém, no oeste do Pará. O protesto é
contra a dragagem do rio Tapajós e o Decreto 12.600 de 2025, que autoriza a concessão
de hidrovias à iniciativa privada sem consulta livre, prévia e informada aos
povos afetados.
A mobilização reúne lideranças indígenas e
movimentos socioambientais, que alertam para possíveis impactos ambientais,
sociais, culturais e espirituais decorrentes da dragagem do rio e de
intervenções em territórios tradicionais.
Durante o período de ocupação, foram realizadas
três audiências com representantes do governo federal. Segundo os
manifestantes, os encontros não resultaram em soluções concretas nem em
sinalização de revogação do decreto.
As comunidades afirmam que seguem denunciando a
falta de diálogo efetivo e o descumprimento de direitos assegurados pela
Constituição Federal e pela Organização Internacional do Trabalho, por meio da
Convenção 169, que prevê a consulta prévia a povos indígenas e tradicionais em
decisões que possam afetar seus territórios.