Quem chora por mim? A
dor que ecoa além das estatísticas
A pergunta que fica é: quem chora por mim?
Minha mãe? Meus familiares? Meus amigos?
Do alto de um “palco” da vida, assisti, por muitas
vezes, amigos e pessoas do meu convívio sendo vítimas de mortes brutais,
assombrosas e cruéis. Esse mesmo palco, que servia como camarote para observar
a dor alheia, revelou a face mais dura da realidade: a crueldade humana, a
falta de respeito com o diferente e a ausência de empatia de quem já não
valoriza nem a própria vida.
Mas eu não imaginava que, um dia, deixaria de ser
espectador para me tornar vítima.
Assim como tantos outros, vi histórias
interrompidas, vidas destruídas e justiça que nunca chegou como deveria. Vi
acusados que não cumpriram suas penas na medida dos crimes cometidos. Vi o medo
crescer e a esperança diminuir.
E agora, mais uma vez, ecoa a pergunta: quem é que chora por mim?
Amigos próximos até lutam, pedem justiça. Mas a
sociedade, que muitas vezes diz se importar, permanece em silêncio. Não ocupa
as ruas, não levanta a voz com a força necessária. Limita-se a comentários em
redes sociais, enquanto vidas continuam sendo perdidas.
Não percebem que, amanhã, pode ser alguém próximo.
Um filho. Um irmão. Um amigo.
No momento final, não houve tempo para pedir
socorro. Não houve quem pudesse ajudar. Foi o fim. Um fim marcado pela dor,
pelo abandono e pela violência.
E então surgem as perguntas: por quê? Quais
motivos?
Não podemos continuar sendo apenas números,
estatísticas, manchetes de jornais. É preciso que a lei seja cumprida, que as
investigações avancem e que a justiça aconteça de forma verdadeira.
Para muitos, é apenas mais um caso.
Para quem viveu — ou melhor, para quem partiu —, é
impossível explicar. É o silêncio definitivo.
Agora, resta um apelo:
Que cada pessoa faça a sua parte.
Que a sociedade acorde.
Que as autoridades não deixem mais uma história
cair no esquecimento.
Para que outros não sejam os próximos.
Para que a dor não se repita.
E para que, finalmente, a pergunta tenha uma
resposta digna:
Quem é que chora por mim?
Djacy Oliveira